Parra-da-madeira - Anredera cordifolia
Índice
Classificação Científica
Nome Comum: Parra-da-Madeira
Nome Científico: Anredera cordifolia
Sinonímia: Boussingaultia basselloides, Boussingaultia cordifolia Ten. 1853, Boussingaultia gracilis Miers 1864, Boussingaultia gracilis var. pseudobaselloides (Hauman) L.H. Bailey
Género: Anredera
Família Basellaceae
Descrição
Esta trepadeira é originária da América do Sul. Tem características invasivas apesar de não estar referenciada como planta invasora na legislação portuguesa.
Habitat
Anredera cordifolia é uma trepadeira da família Basellaceae muito comum no Brazil, sobretudo, em terrenos abandonados, cafeeirais e pomares. É considerada erva vegetativamente daninha, pois produz uma grande biomassa e é muito prolífica.
Cultivo
Acredita-se que a A. cordifolia apresenta grande potencial para cultivo e comercialização imediatos, pois é bastante similar à algumas espécies já utilizadas, como a bertalha (Basella alba) e como o espinafre-da-nova-zelândia (Tetragonia tetragonioides - Aizoaceae) e com a vantagem de sua rusticidade e das baixas exigências de manejo.
Os tubérculos são também desenvolvidos no caule, em vários tamanhos. Quando estes entram em contacto com a terra húmida, dão origem a uma nova planta.
Luz solar: directa ou boa luz indirecta.
Solo: rico em húmus e bem drenado. Humidade do solo: seco ou húmido. Densidade do solo: desde o solo arenoso ao argiloso. Acidez do solo: adapta-se quer a solos ácidos, neutros ou alcalinos.
Temperatura: Aguenta até aos 0ºC. Deve ter protecção contra a geada. Prefere temperaturas altas.
É uma trepadeira perene, crescendo até aos 9 metros rapidamente, especialmente na Primavera e Verão. Floresce entre os meses de Julho a Outubro. As flores são hemafroditas.
As raízes devem ser colhidas no final do Outono até ao início da Primavera. Devem ser guardadas num sítio fresco e seco. Devem ser postas em vasos num estufa no início da Primavera ou em alternativa devem ser plantadas ao ar livre no fim da Primavera.
Deve-se assegurar que a planta terá cercas ou suportes para poder se expandir.
Além do aumento da diversidade alimentar e da renda proveniente da venda desta hortaliça, outros benefícios serão notáveis: maximização da produção com o aproveitamento de cercas e árvores mortas para cultivo; economia de tempo e recursos com mão-de-obra para tentar eliminar mecanicamente a "praga" e ganhos ambientais com a eliminação do uso excessivo de herbicidas para tentar controlar esta vigorosa planta infestante.
Propriedade
Terapêutica
Na Medicina Tradicional Chinesa, Binahong é usada na Medicina Tradicional Chinesa como planta medicinal. Pertence ao grupo que é eficiente na prevenção de diabetes. Na China, no sítio de origem também é conhecida como Dheng San Chi. Baseada em investigação, quase todas as partes da plantas podem ser usada em fitoterapia. Segundo Yen et al (2001) a planta não apresenta toxicidade nem efeitos mutagénicos.
A suas folhas, tubérculos aéreos e rizomas são comestíveis possuindo potencial de aproveitamento imediato como hortaliça, pois tem bom valor nutricional. Tomando-se como parâmetro o teor médio de ácido ascórbico, segundo Franco (2004) para a bertalha convencional - Basella alba L. (= B. rubra L.): 58 mg em 100g de folhas cozidas e 41,9 mg na água de cozimento), além de outras vitaminas e fibras alimentares.
Na Tailândia, é usada no tratamento da dor devido às suas propriedades analgésica e anti-inflamatória e no controle dos diabetes devido a baixar o nível de açúcar no sangue.
Alivia as dores estomacais causadas por stress (por exemplo : úlceras) ou por agentes necrosantes, devido aos seus efeitos protectores da mucosa gástrica.
Alivias as dores abdominais devido aos seus extractos etanólicos que inibem as contracções espasmódicas gástricas.
Tem efeitos protectores relativamente ao fígado.
É antitussígena, anti-nevrálgica.
Pode ser utilizada para lavar os olhos por ser antiséptica.
Devido as suas folhas serem ricas em ferro,cálcio, zinco e proteínas: É usada na cicatrização, tratamento de furúnculos e fortalecimento dos ossos. É anti-anémica.
A ancordina é proteína extraída desta planta. Tem efeito inibitório contra a tripsina além de ter potencial para estimular a produção de óxido nítrico.
A nível psíquico é usada na integração da personalidade e no enraizamento, diminuindo sensações de alienamento e falta de contacto com a realidade.
Nas folhas há actividade antioxidante (efeito anti-envelhecimento), àcido ascórbico (ou Vitamina C ), é suficientemente alto o ácido carbólico, ácido oleanólico (anti-carcerígeno?), alto teor de proteínas, capacidade de estimular a produção de óxido nítrico (através da ancordina).
Esta planta contém, como já referido, o àcido ascórbico/vitamina C que equilibra a acção do óxido nítrico (radical livre). Este tem vida média extremamente curta (menos de 10 segundos). É produzido no nosso organismo a partir do aminoácido arginina. No corpo o óxido nítrico pode exercer funções benéficas ou tóxicas, dependendo de sua concentração nos tecidos.
Numa concentração benéfica, tem como funções:
- neurotransmissor - vasodilatador - antibactericida - antiparasítico - antiviral
Existe um limiar muito pequeno da concentração de NO entre a toxicidade necessária para a acção de defesa e a não toxicidade para as células do hospedeiro. Em situações em que existe uma grande permanência do óxido nítrico dentro do organismo, o mesmo pode ser convertido em peroxinitrito, substância extremamente danosa e que causa efeito contrário ao do óxido nítrico, promovendo vasoconstrição, peroxidação lipídica, oxidação de proteínas entre outros problemas.
Contém também elevado teor de fibras, em que o pó dos tubérculos contém altos níveis de ADF (Àcido Detergente Fibroso ), NDF (Fibra Detergent Neutra), lignina, substância pectina (pektat), celulose, hemicelulose e TDF (Fibra Total Dietética).
Os resultados de testes indicam a presença de àgua, gordura, cinza, proteínas, carbohidratos e fibra crua. Com estes componentes, na fitoterapia chinesa, acredita-se que esta planta cura várias doenças ou situações desconfortáveis, assim como queimaduras, acne, falta de apetite, complicações menstruais e manutenção do bem-estar (estamina).
Sabor: Amargo suave (folhas) Tropismo: Fígado, Rim
Preparação: A produção excessiva de mucilagem ("baba"), pouco aceite por grande parte dos consumidores, sobretudo, no Rio Grande do Sul, onde nem mesmo o tradicional quiabo é muito difundido, pode ser amenizada pelo acréscimo de algumas gotas de vinagre ou limão durante o preparo.
Higiénica
Em verde, os seus tuberculos aérios tem uma propriedade de limpeza dado a sua grande quantidade de mucilagem.
Preparação: Para usar os tuberculos aérios como sabão deverá esmagar e usar de imediato sob pena de se tornar e a consistencia oxidar e secar, ficando literalmente de cor preta.
Banco de Plantas
JV7 e [Banco de Sementes]
